Eu não votei em Leo Kret!

. segunda-feira, 6 de outubro de 2008
  • Agregar a Technorati
  • Agregar a Del.icio.us
  • Agregar a DiggIt!
  • Agregar a Yahoo!
  • Agregar a Google
  • Agregar a Meneame
  • Agregar a Furl
  • Agregar a Reddit
  • Agregar a Magnolia
  • Agregar a Blinklist
  • Agregar a Blogmarks



Leo Kret do Brasil teria conquistado 12862 votos se, em vez de votar em Lindinete Pereira, eu tivesse sido co-responsável pela sua eleição. Essa culpa eu não levei ao travesseiro. A dançarina do Saiddy Bamba entra pra história como o primeiro transgênero a se tornar vereador em Salvador. O quarto candidato mais votado, é bom frisar. Ponto pra ela, pros transgêneros e não-transgêneros que a elegeram na esperança de serem representados, e viva a democracia. Mas antes que eu jogue uma pá de cal na euforia dos leokretinos e seja etiquetado de homofóbico (ah, esse adjetivo!), quero explicar por que acho a eleição de Leo Kret um sintoma preocupante e um risco provável.

Primeiro que Leo Kret está mais para Sara Verônica (eterna Boquinha da Garrafa) que para Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, também candidatos a vereador em Salvador, sem sucesso (nem tudo está perdido). Todo e qualquer voto é um tiro no escuro, mas votar num candidato como se se escolhesse um big brother é sintomático da ambigüidade da nossa democracia. Discordem o quanto quiserem, mas Leo Kret deve muito mais aos votos de protesto (aliás, aos votos de esculhambação) que ao envolvimento político do seu eleitorado. E nisso não há diferença nenhuma entre Leo Kret e a infeliz maioria dos vereadores (re)eleitos em Salvador, salvo a sua excentricidade.

Excentricidade que reside não no fato de Leo Kret passar milhas longe tanto do padrão macho-paternalista quanto do estilo mulher-guerreira, mas pela razão de que se pode, sim, entrar na vida política num abrir e fechar de urnas apenas porque se é famoso, polêmico e objeto de fetichismo. Daí que não faria diferença alguma se, em vez de Leo, Bagagerie Spielberg e Latino fossem eleitos apenas porque são, respectivamente, transformista e sex symbol. Como legisladores, o mais provável é que fossem ótimos (?) artistas.

Militantes gays vão alegar que o simples fato de termos uma vereadora que foge ao padrão heteronormativo já é uma vitória pro movimento GLBT e uma lição pra sociedade. Isso vai depender do bom desempenho de Leo Kret fora dos palcos. Caso contrário, teremos apenas trocado eles por elas e incorrido novamente no equívoco de achar que identidade (de gênero, etnia...) e competência política são uma coisa só. E daí o mesmo movimento vai acusá-la de traição às bandeiras e de ter desperdiçado uma oportunidade de colocar representantes da população GLBT no poder. Olha a responsa, Leo!

Quando assisti à propaganda de Leo Kret na tevê, depois de fingir não ter ouvido a candidata gemer depois de um discurso todo rimado, me perguntei: Por que não? Mas por que sim? Por que ainda precisamos eleger um candidato não-heterossexual pra que a comunidade GLBT possa obter dos poderes públicos o que lhe é de direito? Se Leo Kret se elegesse, teríamos uma bancada pró-GLBT na Câmara Municipal formada por um político apenas? As bandeiras de candidatos travestis, homossexuais, bissexuais e transgêneros têm que ter cores necessariamente diferentes das demais? Gay tem que votar em gay? Todo indivíduo pertencente a uma minoria social tem espírito público? Um turbilhão de questionamentos, interrompido apenas pela lembrança do gemido inacreditável. O grunhido de Leo Kret é o equivalente transgênero do “au” de Frank Aguiar, deputado federal petebista por São Paulo, na sua propaganda em 2006?

Desejo aos eleitores de Leo Kret e a todos os soteropolitanos diretamente atingidos, positiva ou negativamente, por essa eleição que tanto a vereadora transgênero quanto os vereadores mais ou menos ortodoxos não nos envergonhem pelos próximos quatro anos. Ou então é rezar pra que a tragédia toda se resuma a sapateado em hora imprópria e a abelhinha de estimação zunindo dentro do ouvido...

2 comentários:

Leandro Colling disse...

Eu tb não votei em Leo. E muito menos votaria em Lindinete (hehe). Minha questão é pensar se a vitória dela é boa ou má, mas pq ela venceu. Concordo contigo que gay não é obrigado a votar em gay. Mas acho que muitos votos dados em Leo Kret são políticos sim, no sentido clássico do termo. Muitos se sentem representados por ela, e isso deve ser respeitado. Um abraço

Manno disse...

Oi, Cadu.

Muito bom o seu blog e seu post sobre o assunto "Leo Kret".

Vale salientar que é um erro associarem nossa frustração em relação ao número assombroso de votos da candidata eleita a uma atitude "Homofóbica".

Parabéns!

Abraços,

Manno Góes